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IA nos Negócios

Como saber se sua empresa está pronta para adotar IA?

O que realmente significa estar pronto para adotar IA? Para Vinícius Arantes, Digital & AI Manager na Inventta, a resposta vai além de infraestrutura, ferramentas e políticas de uso. Com base em sua experiência com empresas e nos dados do estudo Maturidade em IA nas Empresas, realizado pela Inventta com 97 organizações brasileiras, o especialista explica por que a adoção de inteligência artificial deve acompanhar as necessidades do negócio. O artigo apresenta sinais de maturidade, os riscos de avançar sem direção e quatro movimentos para transformar o uso da tecnologia em resultados concretos.
  • Inventta Consultoria
  • outubro 29, 2026
  • Sem Comentários
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Sumário

Por Vinícius Arantes, Digital & AI Manager na Inventta 

Numa conversa recente com uma multinacional, ouvi uma pergunta que me fez repensar esse tema. 

A empresa tinha feito quase tudo que as checklists de prontidão pedem. Licenças de IA liberadas para o time, uma ferramenta interna lançada, capacitações rodando. As pessoas já criavam seus próprios agentes fazia meses. E a pergunta na mesa era: quantos desses agentes fazem a mesma coisa? E por que cada um foi criado? 

Ninguém sabia responder. Fiquei com isso na cabeça. Se uma empresa que fez a lição de casa chega nesse ponto, talvez a pergunta “minha empresa está pronta para adotar IA?” esteja mal formulada. 

 

A pergunta 

Ela parte da ideia de que prontidão é um estado. Você organiza os dados, monta a infraestrutura, aprova a política de uso, cria o comitê, define a estratégia… e um dia acorda pronto. 

No estudo de maturidade em IA que liderei na Inventta, com 97 médias e grandes empresas brasileiras, menos de 30% tinham uma estratégia de IA bem definida. E menos da metade dessas comunicava a estratégia para dentro da empresa. Se estratégia definida fosse pré-requisito, 7 em cada 10 empresas estariam paradas. E elas não estão. A IA já está sendo usada, com ou sem plano. 

A meu ver, prontidão se parece mais com um movimento. Ela vai aparecendo em sinais, e o trabalho é perceber esses sinais e dar direção para eles. 

 

Os sinais 

Nos clientes que acompanho, vejo quatro sinais aparecerem: 

  • Um problema concreto e com nome. “Queremos usar IA” não conta. Algo como “o fechamento do mês leva dez dias e precisa levar cinco” conta. 
  • Gente usando IA por conta própria. 
  • Alguém com poder de decisão que aceita errar pequeno e rápido. 
  • Abertura para começar com uma governança mínima. 

Eles não chegam juntos. Às vezes o uso aparece antes do problema, às vezes o patrocinador chega antes de qualquer uso. Não precisa ter os quatro para começar. 

Uma organização do terceiro setor com quem trabalhamos neste ano é um bom exemplo. Parte do time já usava IA com frequência, em contas pessoais. Ninguém tinha combinado o que podia ou não ser compartilhado com a ferramenta, e o uso era individual e limitado. Eles não esperaram ficar prontos: procuraram ajuda para garantir bons casos de uso e uma direção comum. O sinal já estava lá. 

 

O custo de esperar 

Quando a empresa ignora esses sinais, o uso continua crescendo do mesmo jeito, só que sem direção. E aí aparecem: 

  • dados da empresa circulando em ferramentas sem governança; 
  • pilotos espalhados, sem dono, alguns fazendo a mesma coisa; 
  • esforço indo para frentes que não conversam com os objetivos da empresa. 

O estudo mostra o tamanho disso. 36% das empresas não sabem medir o resultado da IA em eficiência, e 21% dizem não ter resultado nenhum. Em receita, 39% não sabem medir e 41% não tiveram resultado. 

Tem um dado que ajuda a entender por quê. Nas empresas que não tiveram nenhum resultado em eficiência, as barreiras mais citadas foram falta de prioridade da liderança e ausência de casos de uso. As duas são falta de direção. Movimento orgânico sem direção também não entrega. O sinal é necessário, mas não basta. 

Onde sua empresa está 

Gosto de olhar isso em dois eixos: quanto a empresa já usa IA e quanto esse uso aponta para o que importa para o negócio. 

 

Prontidão para inteligência artificial

Onde está a sua empresa?

Prontidão para IA aparece no movimento: quanto a empresa já usa e para onde esse uso aponta.


alto

USO DE IA

baixo

Uso alto · Sem direção

Uso sem rumo

Licenças liberadas e agentes sendo criados, sem visibilidade de por quê. Pilotos repetidos, sem dono e longe dos objetivos.

direcionar


⟶

Uso alto · Com direção

Movimento direcionado

O uso aponta para problemas que importam para o negócio. A governança cresce junto com o uso.


▲

o uso cresce sozinho


▲

incentivar o uso

Uso baixo · Sem direção

Esperando ficar pronto

Gente usando IA por conta própria, em contas pessoais. Dados da empresa circulando sem governança.

Uso baixo · Com direção

Estratégia no papel

Comitê, política e checklist aprovados. Pouca gente usando de fato.


sem direção


com direção

Direção para o negócio

Vinícius Arantes · Digital & AI

 

  • Esperando ficar pronto: pouco uso oficial, gente usando por conta própria, dados sem governança. 
  • Estratégia no papel: comitê, política e checklist aprovados, pouca gente usando de fato. 
  • Uso sem rumo: muito uso e nenhuma visibilidade de por quê. A multinacional do começo está aqui, e ela fez quase tudo certo. 
  • Movimento direcionado: o uso aponta para problemas que importam, e a governança cresce junto. 

Quem espera ficar pronto raramente fica parado. O uso cresce sozinho e a empresa acaba no uso sem rumo. 

 

Quatro movimentos 

Quando os sinais aparecem, o que faço com os clientes é rodar um ciclo de quatro movimentos. Um ciclo que se repete enquanto a empresa usa, e não etapas para cumprir antes de começar. 

  1. Mapear onde a IA já está sendo usada e para quê. 
  2. Confrontar com a estratégia. O uso aponta para o que importa? Às vezes a resposta é repriorizar os esforços. Às vezes é rediscutir os próprios objetivos, porque o uso mostrou algo que o planejamento não viu. É o movimento que mais vejo ser pulado. 
  3. Escolher e sustentar. Poucos problemas, recurso garantido, governança mínima, decisão do que construir e do que comprar, capacitação começando por quem já usa. Recurso aqui é bem concreto: no estudo, resultados relevantes em custo (acima de R$ 10 milhões por ano) só apareceram em empresas com pelo menos uma pessoa dedicada a IA. 
  4. Testar rápido, juntar evidência e voltar para o primeiro movimento. 

Sobre governança: no começo ela pode ser leve, o bastante para liberar o uso e a criação de agentes sem um fluxo de aprovação burocrático. Ela cresce conforme o uso amadurece. Em setor regulado, algum controle vem antes por obrigação, e tudo bem. O problema é transformar governança em pré-requisito para qualquer uso. 

 

A pergunta certa 

Então, como saber se sua empresa está pronta? Eu trocaria a pergunta: o que sua empresa já está pedindo, e para onde você está direcionando isso? 

Ainda não tenho uma régua fechada para dizer quando a governança precisa subir de nível. Acho que muda de empresa para empresa e talvez mude a cada semestre, do jeito que as ferramentas estão evoluindo. 

Se você está vendo esses sinais aí dentro e quer trocar uma ideia, me chama aqui. 

 

Fonte dos dados: Inventta, Maturidade em IA nas Empresas, novembro de 2025, 97 respondentes de médias e grandes empresas brasileiras. 

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