Existe uma ideia muito comum no mercado de que toda empresa deveria estruturar inovação do mesmo jeito. Criar uma área dedicada, lançar programas, investir em startups, montar comitês e estruturar governanças complexas. Na prática, porém, isso não funciona assim. O que define uma boa estratégia de inovação não é o quanto ela parece sofisticada e o quanto está repleta de iniciativas. Na verdade, o principal é o quanto ela faz sentido para o momento da empresa.
Segundo João Wood, Líder de Projetos na Inventta, um dos erros mais comuns acontece justamente quando organizações tentam copiar modelos incompatíveis com seu grau de maturidade. “Não faz sentido discutir determinadas estruturas com empresas que ainda precisam provar o valor da inovação dentro de casa. A maturidade muda completamente o nível da conversa.”
Por isso, empresas com diferentes graus de maturidade precisam de estratégias diferentes. O objetivo continua sendo inovar. No entanto, o caminho, a profundidade e as prioridades mudam bastante.
O que é maturidade em inovação na prática?
Quando falamos em maturidade em inovação, não estamos falando sobre orçamento ou tamanho da empresa. Na prática, maturidade envolve fatores como:
- clareza estratégica
- apoio da liderança
- estrutura de governança
- orçamento dedicado
- capacidade de priorização
- histórico de iniciativas
- cultura organizacional
- capacidade de execução
Ou seja, existem empresas grandes com baixa maturidade em inovação e empresas menores extremamente organizadas nesse tema. Wood enfatiza: “a gente percebe rapidamente o nível de maturidade nas entrevistas iniciais de um projeto. Algumas empresas já possuem histórico, práticas estruturadas e clareza do que esperam da inovação. Outras estão começando agora, muitas vezes com uma única pessoa tentando estruturar tudo.”
E é exatamente por isso que o nível de maturidade influencia diretamente o tipo de estratégia que a empresa consegue sustentar.
O que não muda: toda estratégia de inovação começa pelo diagnóstico
Independentemente do porte ou do momento da empresa, toda estratégia de inovação começa pelo diagnóstico. É essa etapa que permite entender o grau de maturidade da organização, identificar o que já existe estruturado e quais capacidades ainda precisam ser desenvolvidas.
Antes de propor qualquer iniciativa, é necessário compreender quais são os objetivos estratégicos da empresa, os desafios do negócio, onde a inovação pode gerar impacto e qual estrutura existe hoje para sustentar esse movimento. Wood reforça que a inovação precisa estar a serviço da estratégia da empresa. “Por isso a gente começa absorvendo planejamento estratégico, visão de futuro, entrevistas com liderança e tudo que ajuda a entender o negócio e momento da empresa”, explica.
Segundo João Wood, esse processo inicial vai muito além de aplicar uma simples ferramenta. “A gente começa absorvendo os materiais estratégicos da empresa, faz entrevistas com a liderança, conduz grupos focais e roda o diagnóstico para entender como a inovação acontece na prática”, complementa. É justamente ao longo dessa imersão que os sinais de maturidade começam a aparecer.
“Muito disso surge nas conversas. A gente entende se a empresa já teve iniciativas anteriores, se a área de inovação muda constantemente de diretoria, se já existiram esforços que foram descontinuados ou se ainda existe pouca clareza sobre o papel da inovação dentro da empresa”, afirma Wood. Além disso, mesmo quando determinados direcionamentos não estão formalizados em documentos, eles acabam aparecendo nas entrevistas com as lideranças. As prioridades, as dores mais recorrentes e as expectativas sobre crescimento ajudam a revelar o momento real da empresa.
Nesse sentido, o diagnóstico ajuda a entender o próprio negócio e qual estrutura faz sentido para sustentar sua evolução.
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Onde a estratégia muda de verdade
A principal diferença entre empresas mais maduras e menos maduras aparece na governança e no nível de profundidade da execução. Enquanto empresas mais maduras conseguem discutir inovação olhando para horizontes mais longos, empresas menos maduras normalmente precisam focar em provar valor rapidamente.
Consequentemente, as prioridades também mudam.
Quando a empresa já possui maturidade em inovação
Empresas mais maduras normalmente já possuem:
- orçamento dedicado
- apoio executivo
- processos minimamente estruturados
- histórico de iniciativas
- áreas envolvidas
- práticas recorrentes
Nesse cenário, a inovação já faz parte da agenda da empresa. O foco da discussão passa a estar em como aumentar a eficiência das iniciativas, melhorar a priorização e evoluir o modelo de inovação ao longo do tempo. “A discussão fica muito mais profunda. Não basta listar práticas de inovação e distribuí-las no tempo. A empresa já quer entender frequência, governança, áreas envolvidas, orçamento, cronograma e integração entre iniciativas”, pontua o Líder de Projetos.
Em um dos projetos conduzidos pela Inventta, por exemplo, a construção da estratégia chegou ao nível de detalhamento de práticas trimestrais para os próximos cinco anos. “A empresa sabia exatamente o que pretendia desenvolver em cada etapa. O foco era escalar capacidade, já não era necessário provar valor da inovação para acessar recursos.”
Nesse tipo de contexto, entram discussões como:
- programas de inovação aberta
- instrumentos financeiros mais complexos como fundos de CVC
- novos negócios
- governança avançada
- métricas de longo prazo
- estruturação de portfólio
- expansão de horizontes de inovação
Além disso, essas empresas costumam fazer perguntas muito mais profundas. “As dúvidas já vêm muito mais estruturadas. A discussão entra em metodologia, fluxo, integração entre áreas e modelo de execução.”
Quando a empresa ainda está estruturando sua inovação
Por outro lado, em empresas menos maduras, a lógica muda completamente.
Muitas vezes existe:
- pouco orçamento
- baixa prioridade organizacional
- pouca clareza de direcionamento
- apenas uma pessoa responsável pelo tema
- dificuldade de engajamento interno
Nesses casos, a estratégia precisa ser mais pragmática. Segundo Wood, essas empresas precisam provar valor rápido. “O orçamento do próximo ano depende do resultado do primeiro”, reforça o especialista.
Por isso, o foco costuma estar em iniciativas mais basais e com menor complexidade operacional.
Por exemplo:
- programas de ideias
- desafios internos
- capacitação de liderança
- projetos de curto prazo
- iniciativas ligadas ao core business
- ganhos operacionais mais tangíveis
“Não faz sentido discutir estruturas extremamente sofisticadas com empresas que ainda estão construindo sua base”, acrescenta. Além disso, empresas menos maduras normalmente precisam mostrar resultado antes de ganhar mais orçamento, apoio ou estrutura.
Consequentemente, a estratégia precisa equilibrar ambição e capacidade real de execução.
O erro mais comum: copiar modelos incompatíveis com a própria maturidade
Um dos maiores problemas acontece quando empresas tentam acelerar etapas.
Isso normalmente ocorre porque o mercado associa inovação a estruturas muito sofisticadas. No entanto, maturidade não se constrói por aparência.
Segundo João Wood, tentar planejar estruturas que a empresa ainda não consegue sustentar costuma transformar a estratégia de inovação em um exercício distante da realidade. Em muitos casos, as organizações querem avançar para modelos mais sofisticados sem possuir orçamento adequado, apoio executivo, cultura organizacional consolidada, time estruturado ou capacidade operacional para sustentar essa evolução. Como consequência, os projetos travam rapidamente, além de gerar frustração interna e desgaste político em torno da inovação.
Estratégia de inovação não depende do tamanho da empresa
Um ponto importante: estratégia de inovação não é algo exclusivo de empresas extremamente maduras. Na prática, toda organização que deseja inovar precisa de algum nível de direcionamento.
Mesmo que a estrutura ainda seja pequena. “Pode ser a estratégia mais simples possível, mas ela precisa existir. A empresa precisa definir expectativa, direcionamento, recursos e mandato”, destaca o Líder de Projetos.
Isso porque inovação sem direcionamento costuma gerar desperdício de recursos, baixa priorização e iniciativas desconectadas da estratégia do negócio. Como consequência, aumenta a dificuldade de demonstrar resultado, além de gerar frustração interna e perda de credibilidade para a área de inovação.
Ou seja, não ter estratégia costuma custar mais caro do que começar pequeno.
O que uma empresa minimamente precisa para inovar
Segundo Wood, existem alguns elementos básicos que sustentam qualquer estratégia de inovação, independentemente do grau de maturidade da empresa.
O primeiro deles é direcionamento: a organização precisa saber por que está inovando e quais objetivos deseja alcançar. Além disso, recursos precisam existir, mesmo que inicialmente sejam limitados.
Outro ponto central é o patrocínio da liderança, já que, sem apoio executivo, a inovação tende a perder prioridade rapidamente dentro da operação. Por fim, as pessoas precisam ter tempo, espaço e legitimidade para atuar no tema.
“Não dá para cobrar resultado de inovação sem dar direcionamento, recurso ou apoio. No mínimo, fica injusto”, afirma Wood. Nesse cenário, expectativas desalinhadas costumam comprometer a execução logo nos primeiros meses.
O papel da liderança muda conforme a maturidade
A participação da liderança também costuma mudar bastante conforme a evolução da empresa. Em organizações mais maduras, por exemplo, a liderança costuma participar de discussões mais estratégicas e estruturantes.
Por outro lado, em empresas menos maduras, o papel da liderança costuma estar muito mais ligado à sustentação da inovação dentro da organização. Nesse contexto, os executivos ajudam a legitimar o tema, proteger orçamento, garantir prioridade para as iniciativas e abrir espaço político para que a inovação consiga avançar no dia a dia.
“Muitas empresas ainda estão tentando provar internamente que inovação merece investimento. Isso muda completamente a dinâmica da estratégia”, destaca Wood. Nesse contexto, o apoio da liderança deixa de ser apenas simbólico e passa a ser operacional.
A inovação precisa acompanhar o momento da empresa
Existe uma tendência do mercado de tratar inovação como uma fórmula pronta, entretanto, empresas vivem momentos diferentes.
Algumas precisam estruturar base, outras precisam ganhar eficiência, outras já estão explorando novos modelos de negócio. Por isso, a estratégia de inovação precisa respeitar esse contexto. “As dores são muito diferentes. E o nível de profundidade também muda completamente”, explica.
Tentar acelerar etapas sem sustentação normalmente aumenta o risco de frustração.
O que separa intenção de execução
No fim, a principal diferença entre empresas que conseguem avançar e empresas que ficam apenas no discurso está na capacidade de transformar inovação em algo estruturado.
“Tem empresa que não quer inovar, e tudo bem. Mas, se a empresa quer realmente fazer isso dar resultado, ela precisa ter uma estratégia e isso vale para qualquer grau de maturidade”, enfatiza. Porque inovação sem direção tende a virar esforço isolado e esforço isolado dificilmente sustenta resultado no longo prazo.
Por fim, quando existe estratégia, fica mais fácil alinhar expectativa, direcionar recursos e construir evolução consistente.
Entenda como funciona a oferta de Estratégia de Inovação da Inventta.
FAQ | Estratégia de inovação e maturidade empresarial
O que é estratégia de inovação?
É a definição de como a empresa vai direcionar inovação para gerar resultado no negócio, incluindo prioridades, recursos, governança e foco de atuação.
Toda empresa precisa de uma estratégia de inovação?
Sim. Mesmo empresas com baixa maturidade precisam de direcionamento, prioridades claras e apoio da liderança para que a inovação gere resultado.
O que muda entre empresas mais maduras e menos maduras?
Empresas mais maduras conseguem trabalhar iniciativas mais complexas e de longo prazo. Já empresas menos maduras normalmente focam em provar valor rapidamente e estruturar sua base.
Toda estratégia de inovação começa pelo diagnóstico?
Sim. O diagnóstico ajuda a entender os desafios da empresa, o nível de maturidade e onde a inovação pode gerar impacto.
Qual é o erro mais comum ao estruturar inovação?
Um dos erros mais comuns é copiar modelos incompatíveis com a maturidade da empresa, criando estruturas que ela ainda não consegue sustentar.
Estratégia de inovação depende do tamanho da empresa?
Não. Empresas grandes podem ter baixa maturidade em inovação, enquanto empresas menores podem possuir estruturas mais organizadas.
Qual é o papel da liderança na estratégia de inovação?
A liderança ajuda a legitimar a inovação, direcionar prioridades, aprovar recursos e sustentar as iniciativas no longo prazo.
Como saber se minha empresa está pronta para uma estratégia de inovação mais avançada?
Alguns sinais importantes são:
- apoio executivo consistente
- orçamento dedicado
- governança mínima
- histórico de iniciativas
- capacidade de execução
- clareza estratégica sobre o papel da inovação