Futuros mestres e doutores de 13 universidades públicas ganharam uma nova vivência com o Programa Mineiro de Empreendedorismo na Pós-graduação, iniciado em abril, com inúmeros benefícios para a cadeia de inovação no estado. As inscrições permanecem abertas para alunos de diversas instituições (veja quadro abaixo). Mais de 500 estudantes devem participar da iniciativa.
Organizado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (Sectes), em parceria com a Inventta, o programa promovemaior integração entre academia e mercado. “É uma experiência bastante valiosa, que ajuda a modificar o olhar e perceber oportunidades de inovação. Fundamental para instigar mestrandos e doutorandos a colocar em prática aquilo que aprendem na sala de aula”, avalia Leandro Marciano Marra, doutorando do Departamento de Ciência do Solo, que participou do programa na Universidade Federal de Lavras (Ufla).

Em todas as instituições, mestrandos e doutorandos assistem a uma palestra sobre o programa e, em seguida, se reúnem em grupos para o EMBATE – Empreendedorismo de Base Tecnológica, seminário comportamental com duração de cinco dias oferecido pela Inventta, cujo objetivo é despertar nos participantes o espírito necessário para o processo de inovação. Durante a atividade, cada grupo elabora um plano de inovação.
“O conhecimento adquirido com o EMBATE não é passado nos meios tradicionais de ensino. Ao trabalhar com uma equipe multidisciplinar, que tem um objetivo único, adquirimos conhecimentos e vivências que enriquecem muito a experiência profissional”, destaca Arthur de Freitas Sodré, doutorando da área de Tecnologia de Alimentos, na Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Além de visitar uma empresa inovadora de sua região, o grupo vencedor de cada universidade participará, em outubro, da final do Programa Mineiro de Empreendedorismo na Pós-graduação, na Inovatec. A melhor equipe do estado ganhará uma viagem para conhecer um centro internacional de inovação.
Dentre os ganhos para os alunos que participam do programa, independentemente do resultado dos EMBATEs, estão a possibilidade de conhecer e trabalhar com pessoas de outras áreas; o contato com empresas inovadoras com as quais podem se relacionar; e o aprendizado que pode ser útil para o desenvolvimento de outras inovações e oportunidades de negócios.
Ideias vencedoras
Nas universidades em que já foram definidos os ganhadores do EMBATE, destacam-se planos nas áreas de biotecnologia e odontologia (mais detalhes no quadro abaixo). Todas as notícias relacionadas ao programa podem ser acompanhadas no Portal do Simi.
Na Ufla, o plano vencedor propõe transformar a glicerina residual, proveniente da produção de biodisel, em produtos com alto valor agregado, como ácido acrílico e aditivos para combustíveis. “Há grande demanda no mercado nacional para esses insumos, considerando que, anualmente, o Brasil consome cerca de 50 mil toneladas de ácido acrílico e todo este produto é importado”, explica o mestrando da área de Agroquímica e integrante do grupo, Alan Rodrigues Teixeira Machado.
Dentre os potenciais consumidores estão empresas como Basf e Johnson & Johnson. “A tecnologia apresentada pelo nosso grupo está em etapa pós-laboratorial e os resultados obtidos até agora são bastante promissores”, comemora Alan.
Já o grupo vencedor na UFV apresentou uma solução para reduzir o teor de lactose do leite. Segundo Arthur, que participou da elaboração do plano, o produto tem grandes possibilidades de inserção no mercado devido ao grande número de pessoas com intolerância a lactose no país. “Há pouca disponibilidade de produtos com baixo teor de lactose no mercado que tenham preços acessíveis, mas esse quadro pode ser revertido com a redução dos custos de produção e com a entrada de novas empresas no setor”.
A criação de uma broca de dentista sem barulho e o resfriamento de leite utilizando metano foram as propostas ganhadoras nas Universidades Federais de Juiz de Fora (UFJF) e de São João Del-Rei (UFSJ), respectivamente.
Enquanto aguardam a final do programa na Inovatec, os integrantes dos grupos que venceram os EMBATEs em suas universidades, investem no teste de suas ideias e no aperfeiçoamento dos planos de inovação. “De acordo com a disponibilidade, estamos conversando com professores e pesquisadores que podem nos auxiliar com diferentes visões acerca do projeto”, conta Arthur.
Conhecimento compartilhado
“Como poucas empresas brasileiras possuem centros de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), conhecer um é privilégio para poucos. Durante a visita, pudemos ver, na prática, como alguns dos temas pesquisados nas universidades podem ser aplicados nas empresas, para suprir demandas do mercado”, avalia Arthur, que visitou a Acrotech Sementes e Reflorestamento.
Para Karla Cazelato, gerente Administrativa da BioTécnica – empresa visitada pelo grupo vencedor da Ufla –, a ação traz ganhos para todas as partes envolvidas: “integrar academia e mercado é fundamental para geração de conhecimento, riqueza e novas tecnologias. Inclusive, alguns dos nossos projetos de P&D se identificam com linhas de pesquisas existentes na Ufla”.
Em busca da patente
Não são apenas os vencedores dos EMBATEs que colhem os frutos do Programa Mineiro de Empreendedorismo na Pós-graduação. Um grupo de alunos da Ufla, que desenvolveu um aparelho portátil capaz de determinar a cor do solo no campo, está realizando os trâmites legais para patentear a invenção.
“Depois de participar do EMBATE, procuramos o Núcleo de Inovação Tecnológica da Ufla (Nintec) e demos início ao processo. A busca de anterioridades apontou que não há nenhum similar já patenteado”, informa o doutorando Leandro Marciano Marra.
O produto trará ganhos no processo de determinação da cor do solo, que, atualmente, é feita por uma escala visual denominada Carta de Munssel. “Apesar de útil, a escala é bastante subjetiva, uma vez que a cor está diretamente ligada à umidade da amostra e à incidência de luz, que pode variar de acordo com o local. O aparelho acaba com a subjetividade, padronizando a determinação da cor, independente do local de avaliação e da umidade do solo”, explica Leandro. O equipamento, que também será equipado com um medidor de pH, conta com um GPS, que facilitará o georreferenciamento das áreas mapeadas. “Pode ser útil para profissionais das ciências agrárias que trabalham com mapeamento de solos, empresas que investem em agronegócio e instituições governamentais ligadas ao fomento agrícola”, constata.
Na Inovatec, BH torna-se a capital da Inovação 28 outubro 2010 às 15:48
[...] das 13 equipes selecionadas por júri técnico nos EMBATEs realizados nas universidades participantes, outros dois projetos, que não haviam sido selecionados na primeira etapa, tiveram oportunidade [...]