Para elaborar um planejamento de pesquisa e inovação, além de mapear as tecnologias e competências a serem desenvolvidas, é fundamental entender como devem ser estruturadas as atividades de P&D&I. Da mesma forma, é imprescindível levar em conta tanto os objetivos estratégicos da organização, quanto os anseios do mercado.
Com o intuito de montar todas as peças desse quebra-cabeça, as equipes da Inventta e da Usiminas – um dos principais grupos siderúrgicos do Brasil – somaram competências em um trabalho que durou, aproximadamente, seis meses. O resultado, apresentado recentemente, é o Plano Estratégico de Pesquisa e Inovação (PEPI), que aponta os caminhos a serem percorridos pela Usiminas em diversas iniciativas ligadas à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.
“Havia uma necessidade premente de mapearmos as nossas rotas tecnológicas, de maneira a posicionar os esforços de P&D&I à orientação estratégica da empresa”, define o diretor de
Pesquisa e Inovação da Usiminas, Darcton Policarpo Damião.
Havia uma necessidade premente de mapearmos as nossas rotas tecnológicas, de maneira a posicionar os esforços de P&D&I à orientação estratégica da empresa”.
Darcton Damião, diretor de
Pesquisa e Inovação da Usiminas
Segundo o líder do projeto Bruno Santos Pimentel, especialista de Inovação e Tecnologia da Usiminas, o objetivo é “garantir que todos os esforços da área tenham o máximo de alinhamento possível com a estratégia organizacional”.
O plano tecnológico traduz os objetivos corporativos em programas de P&D que suportam, de forma coordenada, o desenvolvimento da empresa. Iniciado no segundo semestre de 2010, o trabalho foi dividido em três etapas principais (veja abaixo), realizadas sempre com a participação de profissionais da Inventta e da Usiminas.
1 – Revisão da estrutura de Pesquisa do CTU
No início do planejamento, era essencial rever e organizar as atividades do Centro de Tecnologia Usiminas (CTU) – principal unidade responsável pelas ações de inovação tecnológica na empresa.
“A estrutura empregada até então era anterior à Diretoria de Pesquisa e Inovação (DPI), que atualmente coordena os esforços de P&D&I, e já apresentava oportunidades de melhoria”, avalia Bruno.
A primeira atividade desenvolvida foi a análise do ambiente interno, que contemplou diversas entrevistas com profissionais da siderúrgica, pesquisa em documentos e reuniões iniciais com pesquisadores especialistas seniores, que contribuíram ativamente com todo o planejamento.
O passo seguinte envolveu a avaliação de fatores externos e contou com grande bagagem teórica e conceitual. Com base em um benchmarking internacional, começaram a ser elaboradas as novas diretrizes para o CTU.
“Revisamos equipes, posicionamento e proposta de atuação do Centro. A partir daí, pensamos nos programas e nas linhas de pesquisa que precisavam ser desenvolvidas”, explica Mateus Bernardes, analista da Inventta.
O modelo proposto garante uma estrutura mais atualizada, dinâmica e alinhada aos objetivos estratégicos da Usiminas”.
Bruno Pimentel, especialista de Inovação e Tecnologia da Usiminas
Além de delimitar o escopo do Centro de Tecnologia Usiminas, a proposta de atuação apresentada caracteriza o foco das pesquisas e mostra o grau de importância de diferentes atividades.
“O modelo proposto garante uma estrutura mais atualizada, dinâmica e alinhada aos objetivos estratégicos da Usiminas, facilitando a interação entre pesquisadores que trabalham com diferentes temáticas e o desenvolvimento dos trabalhos no CTU”, aponta Bruno.
Marcelo Mattioli, gerente de projetos da Inventta, destaca ainda a difusão de novos conhecimentos e competências junto a profissionais da Usiminas: “as informações ajudam a direção da empresa a medir a importância do CTU com precisão e faz com que os pesquisadores enxerguem, com clareza, quais são os projetos mais estratégicos para a organização”.
2 – Construção dos Mapas Tecnológicos
Curiosamente, a segunda etapa do planejamento foi, na verdade, a primeira demanda apresentada pelo cliente à Inventta. “Antes do início do projeto, a Usiminas nos procurou com o intuito de criar mapas tecnológicos. Entretanto, logo nas primeiras reuniões para kick off do projeto, foi solicitada uma ampliação do escopo, visando justamente preparar melhor a estrutura de pesquisa do CTU para absorver os mapas tecnológicos que seriam gerados”, explica Mateus.
Tendo em mente os objetivos estratégicos da Usiminas e também as tendências de mercado, foram elaborados, como prova de conceito, mapas tecnológicos para o Setor Automotivo e para a área de Meio Ambiente e Energia, duas importantes linhas de P&D&I para a empresa. Os estudos servirão como base para a elaboração de novos mapas ao longo de 2011.
O trabalho, que envolveu profissionais de diferentes áreas, mostra uma visão de futuro do ponto de vista tecnológico para a Usiminas. “Os mapas indicam quais são os desafios em cada segmento e quais devem ser as estratégias tecnológicas para superá-los”, indica Mattioli.
Para Bruno Pimentel, o grau de detalhamento dos mapas é um ponto positivo. “Além de apontarem o direcionamento estratégico, os documentos mostram todo o investimento necessário em infraestrutura e na formação dos profissionais dedicados às atividades de P&D&I”, destaca.
Em determinado momento pode ser necessário, por exemplo, adquirir determinada tecnologia. Já em outro, o mais indicado pode ser a busca por uma parceria externa ou o desenvolvimento interno de competências, dentre outras possibilidades. “Os mapas são essenciais para justificar e direcionar investimentos, sempre de maneira alinhada à estratégia organizacional e aos objetivos do negócio”, complementa Bruno.
Os dois temas mapeados foram escolhidos em um universo de dez linhas de pesquisa possíveis. A escolha do Setor Automotivo se deu pelo fato deste já ser um carro-chefe na linha de produtos da Usiminas. Já o mapa de Meio Ambiente e Energia foi elaborado por se tratar de uma atividade transversal, ligada a diferentes áreas da Usiminas.
Os conhecimentos exigidos para a elaboração dos mapas tecnológicos foram compartilhados com a equipe da Usiminas, que irá criar, ao longo deste ano, os estudos referentes às outras linhas de pesquisa. Posteriormente, também é importante que os mapas já criados sejam atualizados.
3 – Proposta de atuação da DPI
Para concluir o planejamento tecnológico, a equipe do projeto se debruçou sobre a estrutura de atuação da Diretoria de Pesquisa e Inovação. O primeiro passo foi a realização de um diagnóstico para entender melhor todos os processos, projetos e iniciativas.
“Utilizando o conhecimento que possui acerca de diferentes metodologias, a equipe da Inventta classificou as iniciativas e a estrutura das áreas da DPI em relação à aderência a modelos de gestão da Inovação”, comenta Bruno. Em seguida, foi avaliado o grau de maturidade dos processos da Diretoria, com o objetivo de identificar o que poderia ser aprimorado.
Diferentemente das duas fases anteriores, mais focadas em inovação tecnológica, a etapa final também contempla esforços relacionados a outros tipos de inovação, que envolvem processos, modelo de negócio, estrutura organizacional etc.
Após a realização do diagnóstico, foi proposta uma reorganização no modelo de gestão da DPI. “Criamos uma forma de inovação própria, que ajuda a direcionar os esforços das áreas, mostrando as estratégias que devem ser adotadas”, explica o líder do projeto na Usiminas. O estudo permitirá o redirecionamento dos recursos e, até mesmo, o realinhamento de processos e atividades que são de responsabilidade da Diretoria.
O modelo de gestão da inovação proposto para a DPI é dividido em três pilares:
- Estratégia competitiva;
- Estratégia tecnológica;
- Inteligência.
Criamos uma forma de inovação própria, que ajuda a direcionar os esforços das áreas, mostrando as estratégias que devem ser adotadas”.
Bruno Pimentel, especialista de Inovação e Tecnologia da Usiminas
Para cada pilar, foram definidos diferentes focos de atuação, desdobrados em diversas tarefas. “Isso facilita bastante a gestão dos recursos da Diretoria, direcionando o investimento em programas, linhas de pesquisa e outras iniciativas, como gestão de recursos, capacitação, métricas de desempenho e boas práticas”, conta Bruno.
Esforço conjunto
Durante todo o trabalho de elaboração do planejamento tecnológico, colaboradores das duas empresas atuaram de maneira integrada. “O engajamento e a participação de diferentes profissionais da Usiminas foi fundamental para o sucesso da empreitada. Além de proporcionar sugestões valiosas, que facilitarão a aplicação prática do planejamento, essa integração é sempre essencial para que a metodologia empregada seja compreendida com mais clareza e internalizada pelo cliente”, afirma Mattioli.
Naturalmente, o sucesso do PEPI será verificado somente após a sua efetiva implantação. “A atividade de planejamento estratégico pressupõe um cuidado muito grande com a análise dos fatores envolvidos, sempre bastante complexos. A dificuldade maior, no entanto, advém de sua implantação, por ter que levar em conta aspectos difíceis de serem antecipados via planejamento. Não obstante, se ter o PEPI em mãos não garante o seu sucesso, não tê-lo tornaria o processo de gestão de P&D&I na Usiminas uma atividade, no mínimo, imprecisa”, conclui Darcton Damião.
carlos roberto coelho 5 abril 2011 às 15:54
Acho que voces deveriam focar inovação nas pequenas e médias empresas.
A impressão que tenho é que vão sempre do lado mais fácil, ou seja, procuram
empresas que tem dinheiro.
Assim até eu faço.
Roberto/sp
Radar Inovação 5 abril 2011 às 16:27
A Inventta trabalha com empresas e instituições de diferentes tamanhos. Se quiser ler alguns cases sobre empresas de menor porte, confira:
Prime estimula espírito empreendedor
A força de novas ideias em empresas inovadoras